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Porque palavras não se falam... se Vomitam

sábado, 4 de maio de 2013

Diálogo 1 - A execução



- Sabe qual é o seu problema? Você me parece fraco de mais.

- O problema está em você, seu porco idiota, o fato de você ter matado algumas dúzias de pessoas sem coragem não te transforma no ditador desse país.

- Você deveria medir melhor o que diz tirar essa rispidez da voz e as palavras sujas dos lábios, quando eu te criei para ser meu sucessor não lhe ensinei a cuspir asneiras.

- Cale a boca seu verme! Criou-me vendo as torturas boçais que fazia com esses miseráveis infelizes que te servem. Criou-me fazendo ver esse sangue que derramava das cabeças dos que serviam como exemplo, e depois passava a feder nas calçadas dessa merda que você chama de castelo.

- Castelo sim! Castelo este onde você morou e passou seus anos protegido dos malditos que tentaram te matar, mas cujas vísceras eu sempre fiz questão de estender na entrada da praça central, para que todos viessem e que você ficasse protegido. E agora, o que faz? Não quer matá-la? Não és como eu? Vai perder nosso reino?

A fúria que se via estampada no rosto do pai, não era em momento algum comparável a do filho, que a ostentava com veias saltadas, pele avermelhada e saliva gotejando ao canto da boca. Enquanto o filho parecia um cão raivoso e descontrolado, o pai assemelhava-se a um domador de dragões amedrontando sua fera para ensinar um novo truque.

- Reino? Reino?! Seu louco maldito! Estamos no século XXI, e você ainda chama essa merda que criou de reino?! Você só pode estar maluco mesmo, não bastasse amedrontar toda uma nação com a sua insanidade destruidora ainda vai continuar com essa Idiotice?

- Cale-se, você ainda precisa aprender como as coisas são como elas deixaram de ser por um tempo, mas estão voltando ao normal. Estou trazendo de volta os bons tempos à humanidade. Trouxe novamente as armas que não deveriam ter sido esquecidas, a guilhotina, as torturas, os venenos. E certamente nossos alquimistas ainda descobrirão muitas outras coisas que nos tornarão não apenas reis dessa terra, mas de todo o mundo.

- Seu maníaco idiota! Seu filho da puta maluco! Fala dessas merdas antigas que usa pra assustar o povo desse país, mas as bases de lançamento de bombas nucleares que espalhou pelo mundo é que ainda te mantém vivo. É o único fato que fez com que não fossemos bombardeados e aniquilados. E agora quer que eu entre nos eu jogo insano e comece a derramar sangue com você.


- Meu filho, por favor, entenda, eu preciso prepará-lo, você ficará no meu lugar e nossos inimigos precisam saber que é forte, e que não vai deixar nosso reino cair. Precisa matá-la com essa espada... A cabeça dela vai mostrar ao mundo que o nosso reinado continuará, e que você tem força para ajudar-me.

A espada que ele portava estava longe de ser uma espada dos filmes que assistira forçado pelo pai, ela era negra, suja de sangue envelhecido, e seu cabo não tinha símbolos ou desenhos. Era pesada e estava pronta para matar.

- Seu demente maldito! Já vi fazer muita coisa, já vi você terminar de mudar essa merda de país e torná-lo seu reino perfeito e sem crimes. Mas agora? Quer que eu dê o primeiro passo pra sua loucura, e use essa espada nojenta no pescoço da minha própria mãe?!

Com essas palavras o rosto do garoto demonstrou não apenas raiva, mas pânico completo, enquanto a mulher desmaiada ao lado, com o pescoço em cima de uma pilha de tijolos esperava pacientemente seu fim.

- Você passou a vida me fazendo pensar que meu reinado não teria continuidade. Eu transformei esse país, limpei as ruas e deixei vivas apenas as pessoas de bem. Dei segurança e justiça há uma merda de lugar fadado ao inferno. E você nunca reconheceu. Já chega. Tem exatamente dez segundos pra provar que não estou mantendo um dos milhares de traidores que exterminei desse país, vivo na minha própria casa.

Dez segundos se passaram, ouviu-se o som da lamina, apesar de suja, afiada... E a cabeça rolou. Ela matara o próprio filho, entrou novamente no castelo e pediu para que seus homens pendurassem a sua cabeça na muralha. O mundo precisava saber que ele não desistiria por nada, de dominar tudo e todos.
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