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Porque palavras não se falam... se Vomitam

domingo, 3 de março de 2013

Curitiba, e alguns pálidos pontos coloridos



Sigo junto aos outros pela via movimentada, com meus olhos transpassando o vidro lateral, vendo as diferentes cores e formatos dos monstros mecânicos que seguem comigo... A velocidade por vezes transforma em borrões todas aquelas pessoas que dividem a mesma paisagem, em outras a inércia me permite ver seus rostos bem desenhados e com expressões variadas.

Expressões de quem já passou por uma longa jornada na vida, e está exausto de uma luta constante, expressões de esperança, em rostos amarelados e sujos que não deveriam trazê-la se julgássemos friamente. Expressões sorridentes, de jovens bem desenhados e com alma ainda com resquícios de pureza, expressões sorridentes de jovens bem desenhados mas cuja alma já se afundou em egoísmo e superficialidades.

Vejo lindas construções, tijolos sobrepostos com formatos bem arquitetados, barrocos com seu exagero, retas aparentemente perfeitas em construções modernas e com tons luminosos. Vejo a velocidade em passos apressados e a lentidão do pobre garoto sentado no meio fio, possivelmente olhando as mesmas coisas que eu, mas com olhos mais cansados e em preto e branco.

Os sons se misturam, e são tantos que se tornam indecifráveis, ou até decifráveis, mas cuja descrição tornasse o texto ainda mais cansativo e com tom pesaroso. Porém percebo a sintonia do som, a perfeição que tanta mistura trás, e a imagem rebuscada da evolução da sociedade surge a minha cabeça a partir dessas imagens.

Os rostos continuam passando, os corpos continuam passando... E dentro de cada cabeça pensante se sabe sobre a impossibilidade de imaginar tudo o que passa por cada uma delas, cada uma das milhares, que se sente única. Que talvez de alguma forma seja realmente única e que talvez de alguma forma acabe sendo apenas mais uma. Dentre tantas que sentem os olhares sobre si, mesmo estes não conseguindo focar mais nada em meio a tantos seres igualmente diferentes.

Homens sérios e engravatados, garotos descolados com suas tatuagens e cabelos espalhados, garotas lindas com corpos desenhados, a mão e rostos perfeitamente vulgares, garotas diferentes com cabelos vermelhos e unhas escurecidas. Senhoras ostentado suas roupas caríssimas, e senhores andando com bengalas e suas calças marrons sujas pelo tempo. 

Uma massa da sociedade, com cada indivíduo mergulhado em seu próprio mundo interior, com cada construção ostentando a sua magnitude perante tantas outras igualmente construídas, são simplesmente pessoas, cimento, subsolos arenosos, misturas de componentes químicos como em todos os lugares. 

E tudo isso me fascina tanto, pois mudam as magnitudes, formatos e números, mas todas as pessoas são assim em seus interiores, donas do seu próprio universo, e um lugar perfeito, com um país fascinante, em um planeta arrebatador... Mas tudo isso, não passa do frágil e minúsculo ponto azul em meio ao universo, um ponto azul que abriga todos esses mundos pessoais, um ponto azul, que assim como as pessoas possui uma história tão recente, e um ego milenar.


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