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Porque palavras não se falam... se Vomitam

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

51 dias:



A ultima vez que Ana havia visto aquilo, ou pelo menos pensara ter visto, foi quando a professora passou na escola um vídeo de trânsito, onde mostrava de forma bem explícita (até de mais para sua idade) os perigos quando se anda em alta velocidade... Carros cujos motoristas tinham suas cabeças vendo o corpo se afastar e girando no ar até cair no chão abandonadas depois da batida selvagem contra outros carros.

Nesse momento, ela estava olhando a cabeça do taxista no chão, próxima ao cão que dormia indiferente ao engavetamento que acabara de ocorrer na sua frente. Mais tarde ela saberia o que é um engavetamento, ouviria quando sua mãe estivesse conversando com a garota do mercadinho, assunto que logo seria intercalado junto a menção dos 51 dias que faltavam para algo ocorrer... Ou que as pessoas esperavam a ocorrer.

Na verdade ela não fora a única a se deparar com automóveis tendo descontroles mecânicos, a onda de coincidências envolvendo motores, metal e objetos movidos a combustão descontrolados matando gente, acidentalmente varria o norte da Espanha bem como o sul, o leste, o oeste e possivelmente se igualava no restante do globo terrestre.

                Da mesma forma um acidente envolvendo duas carretas que ultrapassavam o sinal vermelho em sentidos opostos e ao mesmo tempo, sem freio e super aceleradas,  transformariam um pequeno automóvel azul em sanduíche de ferro com carne no norte da Bolívia, o pobre senhor que compunha a comparação gastronômica dentro do veiculo era conhecido como J.R. E seus vizinhos comentaram durante o dia, que alem do mau humor habitual do pobre senhor, naquela manhã ele não parava de dizer aos quatro cantos como um maluco, que eles deviam aproveitar seus 51 dias, e aguardar com prazer observando as peças que o destino ainda traria nesse tempo... Tempo que pra ele não durou o esperado.

Ana não sabia muito sobre isso, uma garota de 9 anos mal sabia o que era o planeta terra, e o quanto Deuses podiam nos pregar peças de tempos em tempos... Muito menos teria noção sobre superstições baratas envolvendo datas.

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