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Porque palavras não se falam... se Vomitam

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

50 dias:



As luzes brancas passavam rápidas de mais pela sua visão para que fizessem sentido, luzes retangulares do teto do hospital, tão clichês quanto sombras nas portas próximas ao suspense quando se trata de cinema, mas Ana não conhecia o método hollywoodiano. Ela apenas sentia a uma dor opaca com tons de cinza girando em sua cabeça. Havia caído algo nela, algo que não sabia ao certo o que era, assim como poucos sabiam quando elas começaram a surgir do céu.  Algumas pedras estavam caindo, a primeira (a que atingiu Ana) surgiu sorrateiramente naquela manhã, talvez permanecessem caindo assim nos próximos 50 dias.

Não eram exatamente pedras com fogo como nos cinemas, seria um clichê a mais na sua história de vida que em 26 minutos seria história de morte, a garota de nove anos tivera uma veia importante em algum lugar qualquer do seu corpo que rompeu com o baque, e como não podia ser diferente não passaria dos “50 dias para algo”.

Pedras continuavam a cair dispersas e com diversos tamanhos,  aquele dia se soube de casos no Mississipi, Volta Redonda, Akita, além de outras cidades pelo mundo que tornariam esse relato cansativo, lembrando listas de mercado para compras de sábado. Não demorou muito para que começassem a ser guardadas, comparadas com objetos, animais, artefatos, matar gente, tornarem-se objetos religiosos e tudo que se espera em casos que fogem ao comum do planeta terra. 

Se nunca tivesse chovido antes, a primeira chuva no mundo seria chamada de santa, demoníaca, corrosiva, teriam pessoas sendo curadas com a água ou correndo dela como se fosse comer sua carne... As pedras não eram diferentes, a diferença é que ao contrário da chuva, essa não tinha explicação, mas permaneceriam caindo dispersas pelo mundo nos próximos 50 dias, matando pessoas ao acaso ou simplesmente se enterrando nas areias de desertos ou na neve do ártico.

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