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Porque palavras não se falam... se Vomitam

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

52 dias:


52 dias e tudo parecia calmo. Algumas tragédias na TV, nada fora do comum para um planeta que já passou por tantos maus momentos. E agora a TV mostrava apenas mais algumas mortes horríveis, algumas mortes não tão horríveis se assim possível for, algumas vidas horríveis, alguns espelhos horríveis...

Halloween, ou dia das bruxas por aqui, ou... Bem, não tem importância, o interessante é imaginar o que viria após esses 52 dias, ou durante eles... Pelo menos isso era o que J.R. pensava. Os últimos 52 dias depois de apenas 78 anos que já vivera. 

Passara por tantas coisas, suas retinas acompanharam guerras, bombas, tragédias naturais, tragédias humanas, lera coisas ainda mais antigas a respeito do quanto esse planeta já sentira de fúria e destruição, alguns eram mera mitologia barata, outros ainda não se sabe. Ele se perguntava o que teria de especial depois desses 52 dias, o mundo já havia resistido tanto que sinceramente não entendia como poderia cair, ou voar, implodir ou qualquer que fosse a denominação do que estava por vir.

Estava assistindo o jornal, como diariamente fazia, e se perguntava o que deveria fazer até o fim de tudo. Ficar com a família? Bem, seu cão sarnento Barney era a única família que restara. Amigos? Não havia além dos bêbados do bar cuja única imagem que havia na sua mente era de pessoas desacordadas sobre mesas marrons.  Amores? Já não amava nem a vida como deveria nos dias de hoje... Por fim, como um rasgo em meio a esses pensamentos pegou no sono... Enquanto sua mente viajava pelas estrelas que poderiam cair sem mais nem menos... Restavam ainda 52 dias.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Encho uma xícara de café...



Ela abre a porta... 
"Como foi seu dia?" eu pergunto, "Foi normal" ela responde ostentando um sorriso falso no rosto. 
Eu não ligo, minha pergunta foi tão falsa quanto. 
Ela joga o molho de chaves em cima da mesa, como de costume. Sinto minha cabeça explodindo, como de costume. 
Durante cinco segundos ficamos apenas nos olhando.
Bebo um gole do meu café frio...
Estou ansioso para que chegue a parte onde a gente simplesmente quebra coisas e troca ofensas aleatórias que no fim não fazem muito sentido.
É muito fácil começar uma briga, o difícil é termina-la.
Eu, particularmente, sou um grande fã de frases de efeito. Acredito que uma frase de efeito empregada na hora certa pode te poupar horas de discussões. 
"Nossa relação está desgastada", "Preciso de um tempo só pra mim", "Você não é mais a mesma"...
Enquanto isso ela pensa, com razão, que eu sou um idiota. 
Ela fica irritada...
Bebo um gole do meu café frio...
Você não consegue raciocinar quando está com raiva. Suas glândulas supra-renais produzem adrenalina que estimulam seu coração, seus vasos sanguíneos dilatam, faz o sangue circular em maior quantidade. Por isso ela está com as bochechas rosadas agora e dando sinais de que está perdendo o controle de si.
Outro fato interessante sobre a Adrenalina: Ela é o que faz você fugir, ou lutar. Por isso não tenho certeza se ela vai fazer as malas e ir embora, ou, vai me dar um soco, fazer as malas e ir embora.
O ranger do portão me puxa pra fora da minha mente fértil. 
Estou estático, fitando um bule de café que parece estar ali a algum tempo.
Encho uma xícara de café.
Ela abre a porta...
"Como foi seu dia?" eu pergunto.
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