...

Porque palavras não se falam... se Vomitam

domingo, 29 de julho de 2012

Alguma Direção


Hoje mais uma vez
Acreditei em uma rota
Comecei firmar os passos
Em direção a mais um sonho
Já deveria ter aprendido
Que os caminhos viram pó
Que ruas terminam em pântanos
Perdi-me novamente, sozinho
E por fim estou aqui
Mais uma vez
Em lugar algum
Estou aqui mais uma vez
Seguindo aromas que já não existem
E mais uma vez
Não encontrei você
Eu ainda posso ver seus traços
Em algum lugar no horizonte
Em direção a Lua, ou sei Lá
Em algum lugar de uma memória vaga
Mas desisti de tentar ir até la
Desisti dos meus caminhos
E mais uma vez
Estou em lugar algum
Seguindo traços que mal posso ver
E ainda estou sem você
Ainda estou sem eu mesmo
Mais uma vez

terça-feira, 24 de julho de 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Estamos Todos Conectados...

Mais uma vez os publicitários acertando o ponto.
Um belíssimo comercial feito para a WWF.






ví no 9Gag

sábado, 7 de julho de 2012

Pedaços de Fim



Enquanto observava o garoto com roupas rasgadas, empurrando o carrinho velho e sem rodas com uma das mãos no meio do solo duro e acinzentado, sob a luz mecânica dos tubos de gás que os cercavam, não pôde evitar que o turbilhão de lembranças voltasse a sua mente como se fosse o filme de ontem a noite. Como sempre acontecia, elas voltavam a cada objeto que via, a cada palavra que ouvia a cada pesadelo que escurecia suas noites.

Empurrava o carrinho azul com a sua mão pequena, de joelhos em cima do tapete, quando um dos primeiros clarões veio pela janela e tomou conta de toda a sala de estar, naquela velha casa em uma pequena cidade de Maine. A luz era branca, tão branca e clara quanto raios de sol no momento em que este estivesse surgindo no universo, muito antes mesmo dos planetas sonharem em girar ao seu redor. A luz vinha de longe, e seguida de um estrondo forte, um estrondo daqueles que quando ouvido ao fundo, a primeira palavra que vem a cabeça é “destruição”... A primeira que vem ao coração é “guerra”.

Aquele havia sido apenas o primeiro, mas pouco tempo depois descobriu que este havia atingido a escola em que a sua mãe trabalhava. Não lembra bem como soube, lembra apenas do outro estrondo de explosão, um pouco mais próximo alguns minutos depois, exatamente no mesmo momento em que seu pai abria a porta da sala com força, e entrava correndo passando a mão pela sua cintura e carregando desajeitado exatamente como fazia com a mochila que estava na outra mão, e voltava correndo e direção ao carro. Entraram sem trocar uma palavra e o pai girou a chave, no mesmo momento em que o pequeno ligou o rádio para ouvir qualquer uma daquelas rádios que odiava e mal entendia. 

Tocava The Beatles, que se misturava ao som dos outros carros, buzinas e gritos de pessoas teatrais. Ele ainda sem reação, e da boca do seu pai saiu uma única frase – A guerra voltou meu filho, mas tudo vai ficar bem – Tudo vai ficar bem era uma daquelas clássicas mentiras, segundo havia assistido em um desses programas para adultos que insistem em passar na TV durante as tardes americanas. E ele sabia disso.

Não demorou muito para que o carro tivesse que parar, por culpa dos outros milhares de carros já parados, alguns minutos buzinando e com a mão apoiada no volante e a terceira explosão próxima a cidade tirava o pai do transe. Ele abria as portas, ambos abriam. Voltou a pegar o filho no colo e correr, correr era o que se podia fazer em um caso desses, mesmo que todos soubessem que não funcionaria...

Essa foi a lembrança que o velho carrinho azul sem rodas do menino careca o trouxe, era apenas um pedaço de uma história que mais parecia com uma grande mentira contada a alguém que se lembrava apenas de flashes. Aquele era o começo do que sabia, um pouco antes das bombas atômicas começarem, das bombas com proporções mundiais chegarem ao ponto de tirar a terra do seu ciclo celestial comum e deformá-la. Já fazia 18 anos que estava sob o solo do Texas, o mesmo tempo sem ver a luz do sol, ou mesmo saber se ele ainda existia ou se a terra estava voando por outros sistemas planetários. Isso ele não sabia, mas sabia que algum dia teria que sair dali, e vingar-se do que o seu pai fez ao mundo.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...