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Porque palavras não se falam... se Vomitam

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Carrie


É estranho comentar este livro e tentar ser imparcial. Mesmo vendo pelo lado que podemos chamar de "análise literária", ele acaba por superar expectativas, ao ponto de não permitir que eu deixe de tentar fazer com que você o leia. Bem, talvez esta seja a função mais nobre de alguém que vai comentar um livro.

Quando você assiste a um filme, com uma história incialmente criativa, mas que lhe parece simples e com um roteiro pouco desenvolvido, você espera que o livro seja um pouco melhor e que o autor tenha conseguido fazer algo que não foi expresso no filme. Com Carrie posso afirmar com certeza que você que assistiu apenas o filme não conhece realmente Carrie. É a mais cruel das maldições de King, os diretores e roteiristas ruins.

Apesar de ser o primeiro livro de Stephen King, ele vem tão completo e escrito de forma tão perfeita que todo o sucesso que o autor fez até hoje não poderia ter deixado de acontecer. A narrativa é feita de forma multifocal e inclui trechos onde é vista de diversos momentos cronológicos próximos porém distintos, que faz com que não fiquem falhas e tudo o que vai se passando formem imagens e ideias concretas no imaginário do leitor.

De início, todos já sabemos, de forma superficial, o final da história, onde o protagonista destruiria toda a cidade com seus poderes de telecinesia, afinal, isso não é mistério no enredo e sim a base para que venha a ocorrer a montagem da história em si. Então a obra se passa através de relatos diferentes: uma narrativa da história em si, trechos de "laudos cinetíficos" avaliando o que diz respeito aos poderes de Carrie, trechos do livro que a coadjuvante escreve após o evento e os trechos do inquérito policial que apurou o caso. Isso tudo montado de forma arquitetônica. Essa forma de escrever não deixa brechas em sentido algum na história e permite ter várias visões sobre o mesmo caso, que resulta em um mesmo fim. 

A forma como o "ataque" é escrito, é digno de reconhecimento! O acontecimento, que duraria pouquíssimos minutos no filme, no livro toma conta de cerca de 30% da obra. Todo o mistério dos poderes sobrenaturais, unido com um ar tenebroso, linguagem suja mas ao mesmo tempo bem trabalhada e uma forma de narrativa envolvente criada por Stephen King fazem da história da vida de Carrieta White, certamente, uma das melhores obras literárias já publicadas, em um texto de liguagem fácil e momentos complexos; 

Sem mais.

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