...

Porque palavras não se falam... se Vomitam

sábado, 26 de novembro de 2011

O Peixe-Babel e a Inexistência de Deus


É sim “ O peixe-babel”, disse o Guia do Mochileiro das Galáxias, baixinho, “é pequeno, amarelo e semelhante a uma sanguessuga, e é provavelmente a criatura mais estranha em todo o universo. Alimenta-se da energia mental, não daquele que o hospeda, mas das criaturas ao redor dele. Absorve todas as frequências mentais inconscientes dessa energia mental e se alimenta delas, e depois expele na mente do seu hospedeiro uma matriz telepática formada pela combinação das frequências mentais conscientes com os impulsos nervosos captados dos centros cerebrais responsáveis pela fala do cérebro que os emitiu. Na prática, o efeito disso é o seguinte: se você introduz no ouvido um peixa-babel, você compreende imediatamente tudo o que lhe for dito em qualquer língua. Os padrões sonoros que você ouve decodificam a matriz de energia mental que o peixe-babel transmitiu para a sua mente.
Ora, seria uma coincidência tão absurdamente improvável que um ser tão estonteamente útil viesse a surgir por acaso, por meio da evolução das espécies, que alguns pensadores veem no peixe-babel a prova definitiva da Inexistência de Deus
O raciocínio é mais ou menos o seguinte: ‘Recuso-me a provar que eu existo’ Diz Deus, ‘pois a prova nega a fé, e sem fé não sou nada’
Diz o Homem: ‘Mas o peixe-babel é uma tremenda bandeia, não é? Ele não poderia ter evoluído por acaso. Ele prova que você existe, portanto, conforme o que você mesmo disse, você não existe. QED* (Do latim quod erat demonstrandum, como queríamos demonstrar).
Então Deus diz: ‘Ih, não é que eu não tinha pensado nisso?’ E imediatamente desaparece, numa nuvenzinha de lógica.
‘Puxa, como foi fácil’, diz o homem, e resolve aproveitar e provar que o preto é branco, mas é atropelado ao atravessar fora da faixa de pedestres.
A maioria dos teólogos acha que este argumento é uma asneira, mas foi com base nele que Oolon Culluphid fez uma fortuna, usando-a como tema central de seu best-seller, ‘Sai dessa Deus’.
Enquanto isso, o pobre peixe-babel, por derrubar os obstáculos à comunicação entre os povos e culturas, foi o maior responsável por guerras sangrentas, em toda a história da criação

O Guia do Mochileiro das Galáxias, P. 51/52, ADAMS, Douglas

Um comentário:

  1. devia ter lido essa série a mais tempo! (binha)

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...