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Porque palavras não se falam... se Vomitam

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Parte 3 - A Garota



Ela lavava suas mãos, e mais uma vez, o sangue escorria pelos seus dedos, caía sobre a pia branca e respingava em seus potes de creme que ficavam atrás da torneira, algo para o cabelo, rosto e todo o corpo, com aromas de sândalo. O líquido vermelho descia pelo ralo, se homogeneizando com a água que o acompanhava e contrastando com seus dentes brancos, cujo sorriso de satisfação mostrava refletindo-se no espelho, assim como os seus olhos esmeralda.
Passava as mãos ainda molhadas sobre o cabelo, levando os fios louros da testa para trás, ainda com o sorriso no rosto, e começava a abrir o terno justo que estava usando, esse também com várias manchas de sangue, tirou-o todo, e jogou no canto do banheiro. Seu lingerie branco se confundia com a própria pele, porém a segunda levemente mais rosada, e com algumas sardas no peito. A primeira não era nada que equivalesse com alguém manchada de sangue de um homem, como ela estava, muito pelo contrário, a brancura do tecido e os poucos detalhes davam um tom de meninice ao seu corpo bem desenhado.
Retornou ao quarto, as paredes “musgo-claro”, duas lâmpadas brancas no canto do teto, envolvidas por um globo de vidro trabalhado, que desenhava estrelas com a luz em alguns pontos da parede. Abriu seu guarda roupas, e no espelho da porta haviam figuras coladas, a boca do Kiss, com uma língua avermelhada, uma caveira totalmente branca, e outras que não puderam ser notadas pela velocidade com que fechou a porta após pegar a camisola preta, com rendas brancas, e colocar delicadamente ao corpo.
Foi até a janela que estava aberta, sentiu o frio congelante ao rosto, e as luzes três andares abaixo estavam transformadas em raios esbranquiçados e sem nitidez pela neblina. Na calçada, avistava a sombra de um rapaz que caminhava de vagar, e sozinho, em meio aquele gelo negro da noite, acompanhou seus passos por alguns instantes, até desaparecer no contraste do nevoeiro.
Fechou a janela, e deitou-se na cama. Puxou para si o cobertor negro, apertou bem ao pescoço, e ficou olhando para cima, o apanhador de sonhos pendurado no teto, acima da sua cabeça. Fechou os olhos, e não sonhou com nada.

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