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Porque palavras não se falam... se Vomitam

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tons em Sépia

O tempo das fotos ensaiadas se passou, folheio o velho álbum com a criança atrás de tons amarelados, como sépia, natural. Sépia do tempo, realmente do tempo. E de certa forma trás uma saudade nostálgica das credibilidades que se tornaram amareladas, enquanto as poses ainda estão aí.

Os discursos não são mais inconsequentes, talvez as consequências façam falta, tanto quanto inconsequentes naturais. Assim como essas palavras encenadas e cuidadosamente padronizadas para acalentar ouvidos e corações preparados para o nada, e gelados.

É como sangue, gelado ou não, quando em primeiro fica denso, as cores se tornam heterogenias, separamos glóbulos vermelhos e moléculas de gordura a olho nu, e quando segundo é apenas quente, e apenas quente. E tão complexo por ser assim, tão complexo e humano por ser um só, tão valioso e indefinível, por ser um só, e ser único em seu calor.

Como nos discursos inconsequentes e sem ensaios, discursos com tons de sépia, muito mais vultuosos, ou débeis, como preferir chamar, mas ainda assim, muito mais humanos, com tons vermelhos como glóbulos.

E aquela criança sépia nunca se importou com os disfarces, seus ou de outros, não se sabe ao certo se por não saber ou ter noção de uma existência relacionada à eles, o que agora se torna tão normal e de certa forma fétido. E esse aroma, se é que podemos chamar assim, acaba por fazer parte do ambiente dentre as fotos ensaiadas ao redor, mas faria sentido se houvesse sangue realmente quente nas veias?

E os discursos modernos... Bem, os discursos modernos só me trazem gelo enquanto sentimento primário do termo. Políticos vendidos, sentimentos feitos de brinquedo e palavras de alto escalão humano usadas como lixo.

Esses são os discursos modernos e brilhantes. Esses são os sentimentos modernos e brilhantes. Essas são as pessoas modernas e brilhantes. Eu prefiro sépia.

sábado, 21 de maio de 2011

Hey Jude

Hey, Jude, não fique mal, escolha uma música triste e melhore-a.
Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração, então você pode começar a ficar melhor.

Hey, Jude, não tenha medo, você foi feito para sair e conquistá-la.
No minuto que você deixá-la debaixo da sua pele, então você começará a ficar melhor.

E sempre que você sentir a angústia...
Hey, Jude, contenha-se,
Não carregue o mundo em seus ombros

Com razão, você sabe que é o bobo
Quem mantém a cabeça fria, por deixar este mundo um pouquinho mais frio...

Hey, Jude, não me decepcione, você encontrou-a, agora vá e conquiste-a.
Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração, então você pode começar a ficar melhor.

Então coloque prá fora e deixe entrar
Hey, Jude, comece.
Você está esperando alguém com quem representar, e você não sabe que é somente você?

Hey, Jude, você vai conseguir,
O movimento que você precisa está em seus ombros.

Hey, Jude, não fique mal, escolha uma música triste e fique melhor.
Lembre-se de deixá-la debaixo da sua pele, então você começará a ficar...


Melhor...

domingo, 15 de maio de 2011

Ela ainda não chegara


Sentou-se na cadeira de madeira, daquelas de armar, tão pouco confortável, olhou o outro lado da rua, a vitrine reluzia as roupas com tons vermelhos, os manequins brancos com seus casacos e camisas vermelhas de inverno. Assim como a imagem da vitrine, as folhas amareladas passando da praça para o outro lado da rua deixava clara a imagem do inverno em seu início. Contudo, essa imagem nem seria necessária, afinal o vento cortava o rosto ao meio, em um frio seco e confortável, o vento de inverno. As pálpebras gélidas ao tocar umas nas outras davam a impressão de que seriam minutos frios até que o seu café chegasse, mas ainda assim ficaria ali, não entraria para se esconder do frio, muito menos perderia aquela sensação de beber o seu café em meio ao silencio que o frio trazia à rua pouco movimentada.

Ela chegaria logo? Bem, ainda assim ficaria ali, mantendo a temperatura do corpo com o casaco cinza tímido e clássico, com botões claros e textura riscada, e o café que ainda não tocara. O vento ainda estava presente, brincando como um maestro embriagado, mudando de direção e intensidade de forma indecisa o tempo todo, mas ainda assim trazendo o frio cortante.

Dois garotos passavam de bicicleta, com seus moletons com cores fortes, dez anos de idade, se isso, pedaladas apressadas e tímidas gargalhadas de criança. O senhor na mesa a frente não parecia se importar com o frio, assim como ele. Seus cerca de sessenta anos já teriam lhe mostrado frios muito mais rigorosos. Como na época em que precisava levantar cedo para fazer seu café no fogão à lenha, agora aquele vento de inverno não se comparava ao de outros tempos.

Ela ainda não chegara, e ele ainda não tocara no café já parado à algum tempo na mesa. O cão negro, com o pelo surrado e sujo corria atrás da sacola branca que acompanhava o vento, e se aventurava entre os poucos carros que passavam na rua, o olhar do cão não os notava, assim como a sacola não sabia qual a forma mais sensata de se arriscar, e assim se foram, até sumir na neblina que começava descer.

Agora, em meio a essa neblina, um casal passa ao seu lado, abraçados, dividindo o mesmo calor, com passos curtos e ensaiados, como um... Casal. Suas roupas com tons pastel e blusas com texturas xadrez combinavam com os cabelos despenteados, e a neblina romancista. Beijos acalentadores.

Estava a muito tempo ali, e ela ainda não chegara, e ela não chegará, e ele se da conta de que ela não existe. E se existe, ainda não sabe que ele a espera. É vencido pelo frio, levanta-se, arruma o casaco nos ombros, e segue o casal com a cabeça baixa, até ser vencido pelos passos, e se perder na neblina. De um entardecer de inverno.

E o café está lá, sem ser tocado, e agora tão gelado quanto o vento ríspido. Sozinho.

sábado, 7 de maio de 2011

#NaMesmaMoeda


Eis que a geração da internet vem mais uma vez nos mostrar como essa ferramenta pode ser utilizada para coisas muito além do que a massa acéfala faz.




Na mesma moeda, é um movimento que surgiu no fim de abril de 2011, e se espalha como erva daninha pela internet, por todos os cantos do Brasil, e as outras mídias de massa começam dar o braço a torcer e mostrar o que está havendo.

Enfim, esse é um movimento pacífico, que luta contra os preços abusivos e revoltantes da gasolina em todo o nosso país, visto que o litro da gasolina está custando em média R$3,10 em todo o país, e que cerca de 52% desse valor é pago apenas em impostos, e lembrando que a Petrobrás tem um Monopólio sobre tudo isso, ah, lembrando ainda, que a Petrobrás é estatal, ou seja, uma empresa do governo, uma empresa nossa, que joga impostos abusivos goela abaixo e todos temos que acatar de cabeça baixa, como escravos... E nesse caso somos.

O movimento consiste em reunir pessoas, e em determinado horário de determinado dia, todos irem a um posto Petrobrás, e comprar no máximo 50 centavos em gasolina e EXIGIR NOTA FISCAL. Assim, o posto vai acabar pagando mais do que esses 50 centavos, incluindo gastos, impostos e todas as burocracias cabíveis... Ou seja, eles vão pagar pra vender. Aí eles vão sentir na pele o peso dos impostos. Então vem o termo “Na Mesma Moeda

O Movimento já conseguiu aderir ATIVAMENTE centenas de pessoas por todo o país e cresce a cada dia. Vários vídeos no You tube de ações realizadas diariamente reforçam o movimento, não param as criações de Banners e adesivos onde um revolver é colocado no lugar da bomba do posto de gasolina, representando o “assalto”, e se espalha por todas as redes sociais.

Então, deixo o meu apoio ao movimento, um movimento de pessoas inteligentes, que tem coragem e dão a cara pra bater. Que mostram novas saídas para quem acha que tudo está perdido, que enfrentam uma batalha contra gigantes, mas mantém a honra de ir em frente. Agindo com organização, respeito e rosto erguido.

Tomem conhecimento, organizem-se, entrem no site oficial e acompanhem os próximos protestos agendados, pesquisem no You Tube, nas suas redes sociais, Usem a Tag #NaMesmaMoeda no Twitter, enfim, deixo aqui o meu orgulho por todos que não se deixam vencer, nem mesmo se tratando do nosso pior inimigo, esse governo de incompetentes que jogam dinheiro pelo ralo, e nos sugam cada dia mais.

Links:

Site Oficial

Twitter

You Tube

O que é
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