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Porque palavras não se falam... se Vomitam

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Existem mais loucos por aí


Já estava indo dormir, e o programa da Marilia Gabriela estava na TV, resolvi parar e atrasar alguns minutos do meu sono, para ver um pedaço da entrevista, naquele senário escuro e simples. Ela estava entrevistando uma mulher, uma escritora, pra ser sincero, eu não a conhecia, e ainda nem sei seu nome, mas enfim, ter parado ali, foi o tipo da coisa que fez bem para o meu espírito.

A grande maioria de tudo que está inserido na nossa TV não passa de uma bela e gigante massa escrota da sociedade, onde tudo de mais podre é colocado como normal, pessoas sem talento são endeusadas, padrões de beleza são potencializados, monstros são heróis, mentiras se tornam verdades, lavagens cerebrais são feitas nas nossas crianças, e graças a tudo isso, a cada geração que passa, somos piores. ( salvo filmes e séries, que geralmente são bons, e raríssimos programas, como o da M.G.)

É ali que as grandes merdas ganham potencia e valor, tudo de mais patético e sujo fica bonito e satisfatório, e todos sentam para apreciar . Mas são momentos como aquele que fazem sentir um orgulho, por ainda em algum lugar, escondido, uma pessoa ter a oportunidade de falar um pouco, uma pessoa de verdade, que não é especialmente famosa por ser bonita, ou porque tem um padrinho, mas pelo seu talento real, mesmo sendo minimamente ouvida.

Duas mulheres INTELIGENTES, discutindo, conversando, e mostrando o quanto toda essa sociedade é fraca e patética. Sabe, ouvir aquelas mulheres falar de politica, sociedade, modas sociais, juventude, e tantas outras coisas, me fez sentir menos sozinho, e perceber que não sou eu o monstro, que existem mais pessoas pensantes por aí, em algum lugar, abafados pela podridão da mídia. Mas elas estão lá. E irão morrer sem ter as mentes corrompidas por tudo isso.

Nesses momentos a sensação de ser um louco sozinho sai da minha cabeça, e eu me sinto orgulhoso por mandar tanta coisa à merda, doa a quem doer, porque em um país com educação putrefata e pessoas com cérebros naturalmente atrofiados, não é a maioria que sabe o que está falando! Raras são as pessoas que tem uma visão mais clara das coisas, fico feliz por conhecer algumas delas, e orgulhoso por sempre estar procurando por mais.

Aquela entrevista me fez lembrar o Blog, e a idéia de falar para quem quiser ouvir, o que nós pensamos, assim como elas faziam, em TV aberta, mulheres falando claramente como esse mundo está corrompido e podre, e mostrando a visão delas, das mudanças no tempo, das relações de interesse, da perda constante dos valores, da cegueira social, de um montante de coisas que é traduzido como a “burrice popular”.

Cada vez que conheço uma pessoa interessante, mesmo que ela nem saiba que eu a conheço, me sinto recuperado, com uma injeção de animo. E eu sei, que existem muito mais pessoas como nós por aí, perdidas em algum canto, talvez sem serem ouvidas, mas não se preocupem, nós realmente somos os loucos nessa história, loucos por não nos deixar vencer por essa massa fortalecida com a ignorância, enfim, se você, de alguma forma se identifica com alguma coisa nesse texto, junte-se a nós, e não desista de defender a sua personalidade.

3 comentários:

  1. Uma vez assisti o programa dela com restart, achei que ela foi muito puxa saco deles e que não deixava muito eles falarem (até porque eles não tem muita coisa interessante pra falar). E as vezes até é porque mandaram ela puxar saco pra ter mais audiência ou coisa parecida.
    Ennnnnntretanto, os outros programas que vi, achei bem legal, até porque nem sempre são só pessoas super famosas que vão lá, e a gente fica conhecendo pessoas mais interessantes que restart :)
    Então, ultimamente (ou sempre slá) essa televisão ta escrota, tenho nojo as vezes. Acho que era mais feliz quando assistia tom e jerry com meu cobertor 7 horas da manhã na sala, naquela época eu não tinha nada pra xingar.
    Enfim, muito bom o texto cleber :)

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  2. Cleber, se tem uma coisa que eu aprendi é que nunca estamos sozinhos. Com o advento da internet, como disse Marcelo Tas certa vez (uma das grandes cabeças pensantes deste país), vivemos na Era de Aquária, na Era da Teia, onde estamos todos interligados. Claro, não é nada fácil achar pessoas parecidas conosco, com tanto BBB, bandas coloridas, filmes ruins e futilidade por aí. Mas é possível, e é isso que importa.

    Quanto aos programas de talk-show... esse da M.G. é ótimo. Outro que eu adoro é o Provocações, que passa na TV Cultura, acho. Lá, os convidados são atores globais, na maioria das vezes, e sinceramente, é tão bom ver que muitos deles não são apenas rostos bonitos *-* Adoro a entrevista com o Wagner Moura; youtube it!
    Beijo beijo ;***

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  3. E isso me lembra a discriminação que todos os 'CDFs' recebem na escola. Se em um ambiente em que a inteligência deveria ser valorizada com supremacia, o pessoal que parece perceber isso e muito mais é execrado pelo grupo... Não me impressiona que exista tão pouca gente inteligente no nosso país, já que é natural para nossa espécie o desejo de ser aceita em seu grupo, principalmente durante o período da adolescência. É difícil lutar contra uma característica que foi ligada à nossa espécie há milhares de anos; portanto é compreensível que alguns simplesmente desistam de serem diferentes e se doem à essa sociedade corrupta e desinteressante, cheia de material fabricado para estúpidos. Graças a algo, alguns sobrevivem, e então não vivemos na total futilidade no nosso Brasil. O programa da MG ainda é um dos pequenos deleites que temos.
    Texto ótimo!

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